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Relacionamento na maturidade (Imagem: Pixabay)

O fato é cada vez mais comum, embora ainda cause algum constrangimento e divergências familiares. Mas é cada vez mais usual presenciarmos casais que começam a se relacionar após os 70 até 80 anos. Enquanto pais e avós buscam no parceiro companhia, afeto e companheirismo, filhos e netos costumam restringir: “Mamãe tem 80 anos e tá namorando”, criticam, às vezes envergonhados.

Mas a família tem de aprender a lidar com a situação, como ensina a médica geriatra Marayra França. “Infelizmente o tabu existe e ele é mais familiar que social”. No entanto, a especialista defende: “O amor cura e faz viver melhor”. Ela defende o diálogo e reconhece que muitas vezes os familiares temem que a pessoas esteja sendo enganada e até trapaceada. Principalmente quando os casais apresentam alguma diferença significativa de idade.

Quem também defende o relacionamento na maturidade é a psicóloga Janaína Fidélis. Mas estabelece algumas diferenças neste desejo de se relacionar novamente. “Enquanto o homem costuma ter mais atrações sexuais, a mulher aposta no lado afetivo”, explica.

Melhorias na auto-estima

O que não traz nenhum impedimento, pelo contrário. Segundo a psicóloga, novos relacionamentos resgatam a vaidade e os cuidados com a saúde. “Ao querer se apresentar melhor para o outro, as pessoas acabam se beneficiando com mais saúde e aumento da autoestima”, acrescenta. “O benefício emocional vem com a endorfina, hormônio que traz mais saúde e bem-estar”, sintetiza Janaína.

Para a geriatra Marayra França o termo ‘sexualidade’ não implica somente no “ato de fazer sexo”. “A sexualidade engloba coisas mais amplas, saudáveis e benéficas como afeto e companheirismo. E pessoas bem-amadas vivem mais”, ilustra. Às vezes, as pessoas só querem uma pessoa para assistirem um filme juntas, saírem, ter companhia para dançar e conversar.

Psicóloga, Janaína Fidélis diz que estas “novas sensações trazem um novo sentido à vida. Eu estimulo às pessoas que acompanho a curtirem o relacionamento. O namoro é um santo remédio”, define.

Cuidados com a saúde

Estas novas descobertas e possibilidades com aumento da expectativa de vida e menos tabus com relação à sexualidade infelizmente tem um lado negativo. O número de homens infectado com o HIV, o vírus da Aids, aumentou 81% entre os anos 2006 e 2017.

“As pessoas com mais de 60 anos não usam preservativos. Os homens, principalmente os que se relacionam com garotas de programa aparentemente têm receio de usarem preservativos”, arrisca a médica geriatra Marayra França.

Nada que uma boa campanha de esclarecimento e conscientização não resolva. A medida se torna ainda mais urgente quando se observa que o vírus é especialmente agressivo em um corpo envelhecido. 

(* Publicada originalmente na edição 83 do jornal ‘O Eclético’ da Aseapprevs)